13 barulhos. Dorme com isso.
No 1º tiro, eu lembro, perguntei se alguém alí gostaria de
aprender, porque eu senti vontade de ensinar algo. E enquanto ele aprendia a "virar eu", eu – que também eu sou ele – pensei em falar bem alto – só não me
matam porque não quero morrer, só não me deixam matar porque ter matado será a
escuridão em mim... Um homem que mata muito é porque teve muito medo.” Desisti.
[mais 3 tiros lá fora]. E eu só falei : “ E-U SSSO-U O O-U-TRO. O HOMEM QUE
MATA MUITO É PORQUE TEVE MUITO MEDO.”
No 5º tiro, ficamos esperando o próximo – com escuta aberta
e atenta.
O 13º foi fatal. Olhos fechados, o povo carregava meu corpo.
O velório foi cheio de palavras políticas. Era o teatro do oprimido. Era o
acaso-abismo existente entre o ponto A e o ponto B, chamado B rasil.
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