terça-feira, 28 de julho de 2015

Composição Soldadinho de Papel

Todos os outros personagens em volta de mim, no escuro, estão segurando velas apagadas.
Acendo uma a uma e digo para aquela pessoa o que tenho vontade naquele momento.
Em seguida, apago sua vela.
Há uma certa calma na voz, quase um carinho, que potencializam ainda mais a crueldade de Renne.
Termino com Noah, colocando o chapeuzinho de papel em sua cabeça e pedindo desculpas.

Eis o que disse (ou pelo menos tentei dizer) a cada um:

Tony: Você já viu essa notícia no jornal de hoje? Legalizaram o casamento gay nos EUA. Acho uma pouca vergonha essa história de dois homens se pegando. Casamento de verdade é que nem o nosso. Um homem e uma mulher. É assim desde o início dos tempos, pra que mudar agora? Reclamam tanto da ditadura militar, mas tão aí agora com essa ditadura gay! pelo menos na nossa não tinha essa putaria toda. Cê não acha?

Alex: Eu acho que nunca vou entender você. Que porra é você? Menino-soldado-menina. O que é que você quer ser quando crescer? É melhor decidir logo, porque eu tenho uma novidade pra te contar, garoto/garota: você já cresceu. E eu continuo achando que eu nunca vou entender você.

Leonor: Já reparou que desse mundo de 5 pessoas, só eu e você somos uma coisa só? Todo mundo é dual, mas eu e você não. O macho e a fêmea. Opostos, e ao mesmo tempo, iguais. Yin e Yang. Você pra mim é tudo que há de mais errado nesse país. Então por quê é que eu não consigo deixar de me ver quando eu olho fundo nos seus olhos?

Noah: Meu criança. Desculpa o pai, tá? Você tá fazendo uma falta tão grande, minha filho. Eu que abri um buraco na sua barriga, mas quem tá com um vazio que não dá pra preencher nunca mais sou eu. Eu tô oco, criança. Me desculpa. Me desculpa. Desculpa o pai. Descul.

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