Essa culpa me corrói. Me destrói. Me dói;
Eu não sei lidar com isso. Ninguém deveria ter que lidar com isso. Nenhum pai. nenhuma mãe. Desculpa.
Eu matei meu filho.
Minha criança.
Matei.
A culpa é minha.
Des/culpa.
Só que essa culpa não pode ser minha. Eu não tenho condições de existir repleto de algo e ausente de tudo, porque é assim que eu me sinto nesse momento. Meu corpo vibra, tomado por essa culpa, mas quando eu olho pra dentro de mim, tudo que eu vejo é o nada. O vazio. A ausência.
Repito: essa culpa não pode ser minha.
Essa culpa não deve ser minha.
Essa culpa não é minha.
Essa culpa é dela.
Essa culpa é da Leonor.
Pronto. Agora que eu descobri de quem é, a quem pertence de fato esse veneno que tá me corroendo, ei só preciso arrumar um jeito de transferir esse vazio pra ela.
Ela precisa pagar pelo que fez.
A culpa é dela, não minha.
Não minha.
Vaca!
Ela me tirou minha criança e agora ela vai me dar outra.
Ela vai ser o receptáculo da minha porra e da minha culpa.
Quem sabe assim eu consigo preencher o que me falta?
Essa vaca vai me dar outro filho, outra criança. Meu Noah.
E depois disso ela morre.
Depois disso eu vou conseguir matar de novo.
Só mais essa vez.
Porque depois disso.
Depois disso, tudo vai ser diferente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário