sexta-feira, 19 de junho de 2015

Primeiras sensações Noa


A criança que deseja uma festa de aniversário.
A criança que se interessa pela imensidão e a falta de contorno do mundo.
A criança que morre e ainda assim está lá, em carne, osso, respiração, agonia.

Estou a investigar este ser.

Este pequeno grande ser humano possui ternura, amor e também crueldade dentro de si. Ele ou ela, a criança, Noa. Quero dizer "criança" no sentido mais concreto - pra ele não importam os tais questionamentos sobre gênero, ele é pleno em si mesmo e aberto a experiências sensoriais. Fico feliz por estar enxergando isso agora. Nós é que somos hipócritas demais!!
Uma criança é um mergulho numa cachoeira. E isso se aproxima muito do que desejo enquanto artista: mergulhar, adentrar, deixar a pele respirar todas camadas da composição que estamos tecendo juntos. Quero estar entregue e deixar esse personagem agir, falar, repetir gestos, rir, chorar, ganhar concretude.

É complexo demais interpretar a infância, tenho medo, pode ficar na superfície.

Estou feliz com este presente, FELIZ é a palavra no momento. E MEDO é a palavra que vem quando penso o tamanho do desafio. A relação de Noa com a mãe e o pai começa a se delinear a cada improvisação (a vontade de se aproximar do pai; o desejo de seguir a "imagem" que o pai assume diante da família;  o pai parece ser mais parceiro que a mãe;  Com a mãe, o afeto vem de outro modo, de forma mais crítica. Noa conhece bem o jeito dessa mulher, sabe o que a faz rir e chorar, tem amor por tudo isto, um amor crítico e dependente - eles precisam um do outro, incondicionalmente). Na relação com a professora , me surgiram sensações como: respeito, admiração, amizade, receio, coragem. São cenas mais poéticas, talvez, não que sejam "românticas" mas podem ganhar uma outra dimensão, outra atmosfera.

As improvisações estão se tornando vivências muito necessárias para as relações entre estas figuras.  O elenco todo está experimentando sem receio, jogando com as diversas possibilidades pra depois entender o que fica neste trabalho.

Queria entender melhor esse "desejo da festa", ainda não consigo encontrar no meu corpo um lugar de onde venha esse desejo, por que uma festa, por que sobre ETs, enfim, são perguntas que fico me fazendo.  Isso não está muito claro nas minhas sensações até agora.

Vamos vendo.

Lu.



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